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O que há por trás da força da marca Chilli Beans.

Com as contas sem fechar no final do mês e uma carreira que demorava a decolar, Caito precisava se virar de algum jeito. Em suas viagens aos Estados Unidos para tocar e estudar música, ele passou então a aproveitar a oportunidade para trazer alguns óculos e revender no Brasil. O negócio cresceu vertiginosamente obrigando o empresário a abrir um atacadista do segmento. Um dos primeiros clientes foi a Fórum, que não apenas fez um pedido de 18 mil óculos como lhe deu capital de giro para seguir adiante. O problema é que meses mais tarde alguns calotes praticamente quebraram a empresa.

A saída foi investir em uma marca, a Chilli Beans, que fez suas primeiras aparições no Mercado Mundo Mix, movimento criado em 1994 no Brasil, pelo empreendedor do mundo da moda Beto Lago, e que se consolidou na cena cultural brasileira. Mas sacada mesmo foi ideia de abrir quiosques em corredores dos shoppings centers, ao invés do caro aluguel das lojas. “Hoje eu tenho muitas lojas, mas não abri mão do modelo de quiosques. Eles são ótimos para estudar os melhores pontos dos estabelecimentos comerciais e excelentes para lançamentos de produtos. São lugares com muito tráfego e alta visibilidade”, comentou.

Mesmo sem a formação clássica em cursos de administração ou marketing, Caito deixa claro a cada frase o cuidado que tem com a marca, desde os processos de branding até chegar aos seus PDVs nada convencionais, que têm lojas abertas, sem prateleiras e com uma explosão de cores capaz de chamar a atenção do mais distraído dos consumidores.

Além de uma flagship store na Rua Oscar Freire, em São Paulo, loja que conceito que a empresa utiliza para apresentar lançamentos e promover as mais diversas ativações, a marca ganhou tamanha força que conta com vários contratos de licenciamento, emprestando o seu “lifestyle” irreverente para produtos como bicicletas, guitarras, roupas, pranchas, celulares e até mesmo um carro, que segundo Caito está para ser lançado.

Outra sacada no negócio da Chilli Bens é ter inaugurado o modelo de loja monomarca no segmento, já que antes todas as marcas existentes dependiam das óticas para vender seus produtos. Para Caito, sempre fez muito sentido seguir na direção contrária. “O cara da ótica não sabe nada da minha marca ou de Rayban. Só sabe que é possível pagar com cartão em três vezes sem juros. Nós temos uma história por trás do que fazemos e queremos transmitir isso”, explicou Maia.

O trabalho de branding e a persona da marca é tão bem amarrado que tem despertado a adoração de lovers de uma maneira sem precedentes no País. “Somos a única marca brasileira que as empresas tatuam na pele”, mostrou o empresário, apontando para dezenas de fotos no telão. “Alguém já viu tatuagem do Posto Ipiranga?”, brincou.

Dentro desta estratégia de buscar caminhos espetaculares e ousados, a produção de eventos está sempre no radar da empresa. Um dos mais badalados deles é o Navio Chilli Bens Superdose, que acontece de 04 a 07 de fevereiro, e conta com desfiles de grandes marcas, palestras dos maiores nomes da indústria fashion, oficinas e programas de treinamento, além de uma série de shows e ações de entretenimento.

Tal ousadia ficou ainda mais clara quando a marca apostou alto, em 2015, e trouxe Iggy Pop, grande ícone da cena punk-rock, para a São Paulo Fashion Week. Para lançar modelos em parceria com a Swarovski, o astro quebrou óculos gigantes na semana de moda e gerou uma mídia espontânea avassaladora na ocasião.

O mais interessante, segundo contou Caito, é que esse cuidado com os valores da marca se refletem até nos mínimos detalhes trabalhados nos produtos. A coleção inspirada em Rita Lee, por exemplo, contou com o desenho de um disco voador descrito pela própria cantora, que jura ter visto o óvni.

Já a coleção em homenagem à banda Legião Urbana traz o desenho de uma Winchester 22, arma mencionada na canção Faroeste Caboclo.

Na coleção do rapper Emicida, a parte detrás da haste dos óculos traz a imagem de uma arruda, folhinha sempre utilizada atrás da orelha pelo cantor.

 

 

Fonte: Revista Exame, entrevista para a Campus Party.

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